da chegada dos franceses, tinha 27 aldeias. E no lugar de muitas delas existem, ainda hoje, povoações e vilarejos, alguns com os primitivos nomes.
A Ilha de São Luís - chamada antigamente Ilha do Maranhão - tem 905 Km2 de superfície. Continua dotada de uma rede hidrográfica que lhe assegura a existência de bons mananciais e de numerosos rios perenes, embora nenhum de grande porte. Tem ainda igapós e alagados repletos de buritizeiros, juçareiras e outras espécies da flora nativa que crescem em terrenos profusamente regados e úmidos.
Mas a agressiva devastação das florestas fez diminuir sensivelmente a quantidade e a intensidade das vertentes e rios de que deram entusiasmados testemunhos os primeiros cronistas, especialmente Claude d'Abbeville (1612) e Simão Estácio da Silveira (1619).
O clima da Ilha é tropical e semi-úmido, com elevada precipitação pluviométrica que alcança 2.083, 7mm, sendo o período de março a junho o de mais intensas chuvas. A temperatura média anual é de 26º c, com variação ascendente nos meses de agosto a novembro, porém amenizada por uma permanente brisa e ventos fortes. É marcante o predomínio de suas estações: o verão, tempo de dias ensolarados e noites amenas, sobretudo na orla marítima, que vai de julho a dezembro, e o inverno, bastante chuvoso, de janeiro a junho.
Além da capital maranhense, localizam-se, na Ilha, os municípios de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa (criado em 1994).
Recebeu da UNESCO em 1997 o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, onde em seu Centro Histórico há mais de 3500 prédios tombados.
São muito variadas as manifestações da cultura popular na Ilha de São Luís, onde, a qualquer tempo, e às vezes concomitantemente, há eventos festivos, sejam profanos, sejam religiosos. Incluem-se no rol dos últimos, dezenas de terreiros que, durante o ano todo, festejam seus deuses tutelares.
Sob as formas de festas, exposições, feiras, festivais, ajuntamentos e funções, celebram-se em hora a produtos, seres e entidades do céu, da terra, do ar e das águas.
JAMAICA BRASILEIRA...
O reggae, de procedência jamaicana, aportou em São Luís munido de potentes âncoras e clara decisão de permanência. Por motivos geográficos e também etnográficos, são grandes as semelhanças e aproximações culturais entre a Ilha de São Luís e as do Caribe. Por isso, não é de hoje aqui têm ou tiveram grande aceitação os ritmos tipicamente caribenhos, de marcante influência, a exemplo do mambo, da salsa, do merengue e da lambada. Tendência acen-tuada crescentemente com o advento da radiola, uma central de som cada vez, mais potente, e em torno da qual passaram a ser realizados os grandes bailes populares.
No final dos 70 começaram a ser tocados aqui os primeiros discos de reggae. Mas data da década seguinte a definitiva incorporação desse ritmo ao universo festivo da Cidade. Por enquanto o reggae reina na periferia e tem por adeptos principais os negros. São, porém, plenas as possibilidades de ele fazer o percurso de outras manifestações da cultura popular. Já conquistou espaços cativos nas programações radiofônicas, domina corações e mentes, conta com facções e torcidas fiéis. E assumiu seu quê de maranhensidade, graças aos ares bons da terra, que nele crescem.
E se aprofundam, na mesma proporção em que ocorre progressivo distanciamento da matriz jamaicana. Em face disso, passou a ser correto falar em reggae jamaicano e reggae são-luisense.
Porque enquanto na jamaica a evolução já está para lá do reggae pop, que deixou para trás o período de que são expoentes máximos Bob Marley, Jimmy Cliff e Peter Tosh, em São Luís predomina o reggae root, o reggae de raiz.
Aqui a numerosa massa regueira tem preferências radicais por determinadas "pedradas", e as curte simplesmente ouvindo ou dançando agarradinho.
O BUMBA MEU BOI...
Então já não se há de falar em São Luis, mas na Ilha, que de todas as suas estradas, veredas e caminhos desce o boi, venha de São José de Ribamar, da maioba, da Mata ou de maracanã.