A banda se formou no Rio de Janeiro, em 1968 com Cezar de Mercês (guitarra), Sérgio Hinds (baixo e voz) e Vinicius Cantuária (bateria), misturando rock'n'roll clássico e MPB, com leves pitadas psicodélicas. Mas pouco depois Jorge Amiden entraria no lugar de Cezar, tocando baixo e Hinds passaria para a guitarra. Foi assim que O Terço gravou seu primeiro LP, no ano de 1970. Deste LP, foi selecionada a canção "Velhas histórias", composta por Renato Côrrea e Guarabyra, para o Festival de Juiz de Fora, divulgando mais a banda. Depois, a banda foi moldando seu estilo para a MPB e investiu na vocalização, classificando as músicas "Tributo ao sorriso" e "Visitante", em duas edições do Festival Internacional da Canção (FIC). Lançou dois compactos e um mini-LP seguindo essa sonoridade e como quarteto incluindo novamente Cezar em sua formação. Acabou seguindo, mais tarde, as trilhas do rock progressivo, como se pode notar em seu segundo LP (1973), sem Jorge Amiden e firmando o grupo com um trio (ou um terço), que traz a suíte de 19 minutos "Amanhecer total: despertar pro sonho", composta por Cezar, que foi a primeira no Brasil a usar o, tão famoso entre o rock progressivo, mini-moog. No disco, a banda volta a fazer rock'n'roll clássico para homenagear o Rei do Rock, na música "Rock do Elvis", composto por Ezequiel e Vinicius Cantuária. O disco é o mais original d'O Terço, pois além de dar sentido ao nome (composto pelo "trio" que o criou), os três integrantes participam ativamente na criação e composição entre as dez faixas do disco.
Em meados de 74, Flávio Venturini assumiu os teclados e violas, Sérgio Magrão, ficou no baixo e o Luiz Moreno na bateria. Completando a formação Sérgio Hinds na guitarra solo e Cezar de Mercês na guitarra base. Essa formação foi a mais marcante e profissional que "O Terço" já teve em toda a sua história. Em 1975, foi concluída a gravação de um dos maiores discos de rock progressivo que já foi criado, entitulado "Criaturas da Noite", investindo mais ainda na vocalização. Quando o disco foi concluído Cezar de Mercês já não fazia mais parte do grupo, mais sua presença é marcante no disco, compondo quatro das oito faixas do disco ("Hey amigo", sozinho; "Queimada" e "Jogo das pedras", com Flávio Venturini; e "Pano de fundo", com Magrão) e gravando vocal e percussão nas faixas "Pano de fundo" e "Ponto final" (esta úlima belissíma música instrumental composta por Moreno e conta também com Marisa Fossa no vocal). Sérgio Hinds contribuiu com a pesada "Volte na próxima semana". A capa é baseada na obra A Compreensão, de autoria de Antonio e André Peticov.
Os grandes destaques do disco são as faixas, "Criaturas da noite", composta por Flávio em parceria com Luiz Carlos Sá, que foi a música de trabalho do grupo, com enorme radiodifusão e redendendo milhares de discos vendidos. E a suíte instrumental de pouco mais de 12 minutos, composta por Flávio e entitulada "1974". A mais bela canção do rock progressivo nacional, e porque não dizer internacional. É incrível pensar que essa música conta com toda a genialidade de Flávio Venturini e ainda é tocada por Sérgio Hinds, Magrão e o eterno percussionista Moreno. Pena esta banda ter durado tão pouco. A música ainda foi coreografada por volta de 1977, pelo argentino Oscar Araiz, para o Royal Balet do Canadá, e apresentada em turnê pelo Canadá e Estados Unidos.
O disco fez tanto sucesso internacional que ganhou uma versão em inglês, o "Creatures of the night", em que a única diferença foi a gravação da vocalização em inglês. No Brasil saiu apenas um compacto com as músicas "Shining days, summer nights" (versão de "Criaturas da noite") e "Fields on fire" (versão de "Queimada").
No ano seguinte, a banda gravou o disco "Casa encantada", voltado mais para o rock rural, mas sem esquecer as raízes progressivas. Cezar de Mercês participa novamente na composição de quatro das onze faixas do grupo: "Flor de la noche", "Luz de vela", "Flor de la noche II" e "Foi quando eu vi aquela lua passar", esta última com Flávio Venturini, e ainda participa tocando flauta na música "Casa encantada" e cantando na música "Sentinela do abismo". Não entendo por que não pertencia "oficialmente" ao grupo.
Flávio Venturini é o mais atuante no disco compondo "Casa encantada" e "Vôo da Fênix", em parceria com Luiz Carlos Sá; "Sentinela do abismo", com Márcio Borges; "Cabala", com J. Geraldo (que toca violão na faixa) e Murilo Antunes; além da já citada "Foi quando eu vi aquela lua passar". Sérgio Hinds contribui com a bela instrumental "Guitarras" e Luiz Moreno com (também instrumental) "Solaris". O disco traz ainda a música "Pássaro", composta por Sá & Guarabyra.
No próximo ano Flávio Venturini sairia do grupo para seguir carreira solo. Com certeza foi uma grande perda, mas isso não ocasionou perda de qualidade do grupo (que agora contava oficialmente com Cezar de Mercês, e com o tecladista Sérgio Caffa), pelo contrário, só confirmou o grupo como a maior banda de rock do país.
Em 77, O Terço lançou uma compacto com as músicas "Amigos" e "Barco de pedra", ambas compostas por Cezar. O disco conta com as participações de Marcinha e Marisa Fossa, e foi gravado pela Copacabana.
No ano seguinte, o grupo lançou o álbum "Mudança de tempo", outro excelente disco. Cezar compõe sete das nove músicas do disco: "Minha fé", "Mudança de tempo" (belíssima), "Blues do adeus", "Hoje é domingo (pede cahimbo)", "Gente do interior" (com Magrão), "Pela rua" (com Caffa) e "Não sei não" (com Caffa e Ivo Alencar). As outras músicas são "Terças e quintas" (belíssima demais) e "Descolada", instrumentais compostas por Caffa.
Após o disco, Magrão se juntou a Flávio Venturini (que desistiu de seguir solo), aos guitarristas Cláudio Venturini (irmão de Flávio) e Vermelho, o baterista Hely Rodrigues e criou a banda entitulada "14 Bis", um pouco mais pop que O Terço.
Com o fim do Terço, Sérgio Hinds gravou seu primeiro disco solo, no ano de 1979, misturando rock e ritmos brasileiros, como o samba.
Em 1983, o guitarrista junto com Ruriá Duprat (tecladista e sobrinho do maestro Rogério Duprat), o baixista Zé Portugal e o baterista Franklin Paolillo reataram O Terço, gravando o disco "Som mais puro", baseado em suas obras anteriores, mais para a MPB, sem esquecer o rock progressivo. O disco traz oito faixas e parcerias de Hinds com seus antigos amigos de banda Vinicius Cantuária ("Linda imagem", "Coração cantador" e "Tambores da mente") e Jorge Amiden ("Tambores da mente"), além de uma parceria com Vinicius de Moraes ("Nunca duvidar"). Das outras quatro canções restantes, três são de Hinds ("Viajante relógio", "Asa delta" e "Luzes") e uma belíssima instrumental de Flávio Venturini, com um título que já diz tudo: "Suíte".
Mais tarde, em 1986, Sérgio Hinds lança "Mar", seu segundo disco solo, apenas com músicas instrumentais.
Em 1990, o grupo volta com um álbum homônimo mais voltado para o rock, com Geraldo Vieira no baixo e Flávio Pimenta na bateria.
Em 1993, com Luiz De Boni nos teclados, Andrei Ivanovic no baixo, e o batera Franklin Paolillo, surgiu o disco "Time travellers", que foi gravado com temas em inglês, pois desde dos anos 80 a banda tem mais repercussão no exterior, fazendo concertos na Europa e EUA. O disco foi lançado no exterior (o segundo da banda) e as canções são todas baseadas no rock progressivo inglês. De Boni e Hinds compõe todas as faixas do disco, que inclui também "Suíte", aquela mesma canção de Flávio Venturini, mas com um novo arranjo e letra em inglês. Há também uma homenagem a banda argentina de rock progressivo "Crucis", numa canção intrumental.
Ainda neste ano, Luiz De Boni e Sérgio Hinds gravaram a trilha sonora do curta-metragem "Estado de espírito", com direção e roteiro de Daniel Davidsohn e produção de Patrícia Zizi Nunes, com elenco de Raul Côrtes e Alexandre Borges. O filme conta o confrontro entre o materialismo de um professor de medicina e a espiritualidade de um de seus alunos.
O próximo disco seria gravado ao vivo em 94, no Palace, em São Paulo, com a "Orquetra Sinfônica Juvenil" do estado, maestrada pelo velho conhecido Rogério Duprat. O disco traz seis canções do disco anterior : "Space", "The last journey", "Lost in time affaire", "The rhythm of the universe", "Crucis" e a nova versão de "Suíte". Traz também os clássicos "1974", "Criaturas da noite" e "Hey amigo", além de "Luzes" (de 83) e uma homenagem a Raul Seixas: "Metamorfose ambulante".
"Compositores" foi gravado em 1996, com músicas inéditas de outros compositores e composiões próprias, como "Time" (De Boni), "Mundaréu" (Hinds e Vinicius Cantuária), "Às vezes" (De Boni e Hinds), e a releitura de "Deus", gravada originalmente em 1973, composta por Hinds. O disco também traz sucessos como "Sangue latino" (João Ricardo e Paulinho Mendonça), dos eternos Secos e Molhados, músicas de Ivan Lins, Flávio Venturini, Daniel Gonzaga, Pixinguinha, e outros.
Sérgio Hinds, reformula novamente a banda com Beto Corrêa nos teclados, Daniel Baeder na bateria, Edu Araújo na guitarra e voz e Max Robert no baixo. "Spiral words", com capa e artes de autoria do artista e fotógrafo Marcelo Rossi, foi gravado em 1998, ano em que a banda comemorava trinta anos de existência. Hinds define o disco como sendo mais voltado para o fusion e o jazz, mais nunca esquecendo as raízes progressivas. O disco foi produzido e dirigido por Sérgio Hinds em seu estúdio, criado para as gravações do Terço e de amigos do guitarrista, chamado "T Records" e traz a releitura de "Crucis" e "1974".
No ano seguinte, com André Gonzales no lugar do baterista Daniel Baeder, a banda lançou o disco "Tributo a Raul Seixas", com doze sucessos do eterno roqueiro Rauzito, em versões bastantes pesadas. Pouco depois Igor de Bruyn entrou no lugar de Edú Araújo na guitarra.
O próximo ano seria de intensa expectativa para os fãs da banda. Sérgio Hinds, Sérgio Magrão e Luiz Moreno, foram convidados a participar de um concerto na DirecTV, a convite de Flávio Venturini. "Olhamos um p'ra cara do outro e perguntamos: por que a gente se separou? Era a hora de voltar. O novo disco será gravado em estúdio e ao vivo, possivelmente no Credicard Hall. Mas Flávio continua com sua carreira solo e Magrão também não vai deixar o 14 Bis.", confirmava a volta da formação clássica, Sérgio Hinds.
Em 2002, Luiz Moreno adoeceu, com um câncer que o levou a falecer. Isso fez com que os planos da volta da banda fossem cancelados. Porém, com o apoio da mulher de Moreno inclusive, a banda resolveu voltar com um baterista convidado. Flávio Venturini, afirmou em uma entrevista à Página da Música que os planos da banda de gravarem um disco ao vivo com as músicas antigas não faziam mais sentido sem Moreno, e que eles haviam compostos quatro músicas inéditas (veja a entrevista na sessão "Textos"). Flávio afirmou que agora eles vão gravar um disco somente com inéditas.
Fonte: Site Oficial (
www.oterco.com.br)